Julho 30, 2009

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A viagem foi curta até à quinta. Não conseguia acreditar que tinham remodelado aqueles edifícios todos e os tinham transformado em hotel. A quinta é lindíssima, mas o investimento deve ter sido alto. Quando lá chegamos fiquei boquiaberto. A casa principal continuava a mesma. Os jardins finalmente tinham a atenção que mereciam e a Rebeca vivia na antiga cabana dos caseiros. Quem diria? Saí do carro para ver melhor o que a minha mente não queria acreditar. A Rebeca ficou ao meu lado a explicar-me como tudo funcionava. Depois despediu-se de mim e acompanhou-me até ao carro. Quando estava mesmo a entrar no carro, perguntei-lhe:

“Não vieste embora por minha causa, pois não?”

(esbocei um sorriso) “És sempre tão egocêntrico?”

“Egocêntrico... eu?! Não, porquê?”

“Passou-se tanta coisa no jantar, aborreci-me com a minha irmã, disse que estava cansada e tu só consegues pensar que vim embora por tua causa...”

Urso... grande urso! És tão tanso!... Céus... um buraco agora fazia jeito. Muito procurei o buraco, mas ele não estava disponível para me receber. Bem... respira fundo e desenrasca-te.

“Tens razão estou a ser egocêntrico! Aliás, estou a ser um completo parvo! Olha, que tal deixarmos esta conversa para outro dia?”

“É melhor!... Estamos os dois cansados e... é melhor.”

Rimo-nos e despedimo-nos com um abraço e um beijo. O Xavier desejou-me as boas noites com um lindo sorriso, deixando no ar a promessa de um novo encontro.

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Estávamos a passar à frente do café da Irene e vi movimento lá dentro. Parei não fossem ladrões. A Rebeca comentou que tinha estado lá naquela manhã e que tinha adorado o café Seis Sentidos. A Luana ouviu, acordou e gritou que queria ficar com a avó Irene.

“Oh, pequenina... a vó Irene já não está aí.”

“E está, eu vi uma pessoa lá dentro.”

“Xavier, deixa. Eu vou lá ver se está alguém.”

Quis dizer à Rebeca para não ir, mas já não fui a tempo. Quando olhei já ela passava à frente do carro em direcção ao outro lado da estrada. Chegou lá, bateu à porta e alguém acendeu a luz. Pouco depois, surgiu um vulto à porta e logo ecoou um valente “vóvóóóóó”. Tirei a miúda do carro e atravessei a estrada. A Irene mal podia acreditar que a sua netinha ia dormir com ela nessa noite.

É incrível a felicidade que as duas tinham na cara quando se abraçaram. A Luana agarrou-se à avó com uma força... a mulher quase caía. A avó, mal a criança lhe perguntou se podia ali ficar, começou logo a perguntar-lhe qual a canção que queria ouvir e a história que ia ler para a avó. Cheguei a lembrar-me da minha avó. Também costumava cantar-me para dormir. A Irene agradeceu várias vezes ao Xavier e pouco depois entraram para o café e subiram para o primeiro andar. Nós prosseguimos viagem.

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O Xavier despediu-se e fomos até ao quarto buscar a Luana. Mantivemo-nos em silêncio até chegarmos ao carro. Foi uma aventura pôr a miúda no carro. Ela agarrou-se ao pai e não queria largar. Continuava a dormir, mas não queria largá-lo. O Xavier começou a falar com ela muito baixinho e a dar-lhe muitos beijinhos. A miúda sorriu várias vezes e, por último, perguntou: “prometes?”. Ele com uma voz muito terna e aos sussurros disse que sim. Bastou o som do sim para ela o largar e se encostar ao assento.

Depois de toda aquela ginástica, olhei para a Rebeca e pareceu-me que estava novamente emocionada. Perguntei-lhe onde vivia e, com a voz embargada, disse Quinta do Lago. Fiquei a pensar que se teria enganado, pois a Quinta do Lago era uma quinta abandonada, onde costumava ir com o meu avô Gabriel.

“Quinta do Lago... à entrada da cidade?!”

“Sim. Conheces?”

“Conheço há muitos anos. Costumava passear lá com o meu avô Gabriel. Ele levou-me várias vezes ao lago, mas agora já não sei sequer como se vai lá ter.”

“Consegues guardar um segredo?”

“Sim, o que é?”

“Eu sei onde fica o lago. Costumo ir lá todos os dias. Neste momento estou a tentar comprar esse terreno para o anexar à Quinta. Por isso, quando quiseres aparece, de preferência logo de manhãzinha, e levo-te lá.”

“Tem cuidado, por que ainda aceito o convite e apareço lá às seis da manhã!”

“Por mim, tudo bem. Eu costumo acordar às cinco e às seis já estou no alpendre a meditar, por isso...”

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O Bruno e a Olga estavam maravilhados com as histórias da Maria. Quando lá chegámos, a Olga adiantou-se logo a dizer para nos sentarmos e ouvirmos o que lhes dizia.

“Maria, vais desculpar-me, mas estou um pouco cansada e preferia deixar esta conversa para outro dia. Quero ir para casa, descansar e amanhã continuamos a conversa no café da Irene. Que te parece?”

“Oh, mana... eu gostava de ficar um bocadinho mais. Claro, se não for incómodo?!”

“Claro que não é incómodo. Fiquem!”

“Ok, então eu apanho boleia com o Xavier. Até a manhã. Maria, Vasco foi um prazer conhecer-vos.”

“Diz mais reencontrar-nos! Como estamos constantemente a passar pelas mesmas situações, isto foi mais um reencontro.”

“Não o poderia ter dito de melhor forma. O Vasco é um amor, não é?!”

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“Então, a miúda continua a dormir?”

“Sim, profundamente.” - o Xavier estava alheio a tudo, continuava pensativo - “Acho que vou indo. Está tarde e vocês com certeza querem descansar.”

“Não seja por isso. A Maria engrenou agora numa conversa sobre as acções de desenvolvimento, por isso acredito que fiquem cá mais umas horas.”

“Não, isso não. Tenho que levar a miúda para casa. Ela está a dormir e amanhã vai querer levantar-se bem cedo para ir ter com a avó, por isso é melhor ir.”

“Tudo bem, mas tu vieste com o Bruno? Não me parece que a conversa fique a meio!”

“E qual é o problema? Se eles quiserem ficar, eu deixo a Rebeca em casa. Aceitas?”

“Sim, se eles quiserem ficar, aceito a boleia.”

“E eu agradeço a companhia!”